Em muitos debates de hoje que acompanhamos e/ou participamos, tanto na internet quanto pessoalmente, muitas pessoas recorrem ao relativismo moral. Argumentam que não há uma verdade absoluta que nos ajude a determinar o que é certo ou errado.

Para este grupo de pessoas, tudo é relativo. Tudo possui dois lados de uma mesma moeda e todo mundo está certo, apenas de um modo diferente. Para defender esta posição, o relativista apresenta dois argumentos principais:

1. Uma vez que não há um padrão moral entre as pessoas e culturas, logo não há valores morais absolutos;

2. O relativismo moral nos leva à tolerância e ao respeito a cerca de práticas e pensamentos que podemos achar diferentes ou estranhos.

Estes dois argumentos parecem muito convincentes, mas são igualmente falhos.

Primeiro que, mesmo que as pessoas discordem sobre algo, não significa que não haja uma verdade absoluta. Se discordarmos sobre o formato do planeta Terra, por exemplo, isso não significa que a Terra não tem forma alguma ou que possua múltiplas formas.

Em uma discussão moral, por exemplo, o fato de que um neonazista e um cristão discordarem sobre tratar as pessoas de forma igualitária e justa não é uma evidência de que a igualdade e a justiça são relativas.

Além disso, o relativista moral tem visível dificuldade em explicar de onde ele tirou a sua própria definição da moral que rege o seu lado da moeda e com que parâmetro moral ele consegue distinguir pessoas “boas” de pessoas “ruins”, já que bom e ruim, em teoria, são definições relativas.

Outro problema com esse argumento é que a diferença entre cultura e indivíduos não está em suas práticas morais, mas em seus valores culturais. Por exemplo, no Brasil, mulheres costumam usar roupas mais curtas e justas. Já na Europa, costumam esconder mais o corpo.

Isso não é um problema moral, pois não há nada de imoral em uma brasileira andar com as pernas de fora e uma europeia não. Isso são diferenças nos valores culturais, os quais podem ser influenciados pelo clima, pela tradição ou até mesmo certas crenças religiosas.

Embora as culturas possam diferir sobre como elas manifestam os seus valores culturais, como a forma de se vestir, falar, e definições do que é bonito ou feio, nenhuma delas promove a desonestidade, a crueldade ou o desrespeito. Por quê? Porque todas concordam que estas práticas são erradas.

Na Índia, por exemplo, é uma prática comum não comer carne de vaca e essa não é uma questão moral, mas cultural. Por quê? Explicando de uma forma bem simplória, os indianos consideram a vaca quase como um membro da família. Logo, matar uma vaca é como matar um familiar.

O ponto crucial da questão moral não está em comer carne de vaca ou não, mas sim no ato de matar um membro da família. Neste caso, nós e os indianos somos moralmente iguais.

Mas mesmo que indivíduos e culturas não possuam valores em comum, isso não significa que ninguém esteja certo ou errado sobre os alguma coisa. Ou seja, pode ser que haja um indivíduo ou cultura moralmente errada, como Adolf Hitler e a Alemanha nazista, Fidel Castro e sua ditadura comunista, ou os grupos terroristas islâmicos e seus líderes.

O problema do relativismo moral é a brecha que ele dá para tais indivíduos e culturas se esconderem atrás desse argumento, dando razão às suas ações justamente pela falta de uma conduta moral absoluta.

Ora, se o certo e errado não existem (ou são relativos), logo, ninguém pode julgar as ideias ou o comportamento de ninguém, pois cada um está certo, conforme sua própria verdade.

Desta forma, nem mesmo Hitler, Mussolini, Fidel Castro, Gengis Khan, Bin Laden podem ser considerados pessoas cruéis e imorais, pois todos agiram conforme suas próprias verdades e lutaram por aquilo que acreditavam ser o certo.

Assista este vídeo onde o evangelista e apologeta cristão, Ravi Zacharias, responde uma dúvida sobre a subjetividade da moral:

Consegue perceber o problema e a confusão que o relativismo pode causar?

Hoje em dia, uma das discussões que envolve essa questão relativista é sobre a legalização ou não do aborto. De um lado, pessoas que são a favor, pois não consideram o feto como um ser humano. Do outro, os chamados pró-vida, que abominam esta ideia.

Um dos principais argumentos que surgiu por parte dos pró-aborto foi: “se você não é a favor do aborto, não aborte.”. É incrível como este argumento, em um primeiro momento, pode fazer total sentido, não é? Mas ele é falacioso!

Vamos usar esta mesma lógica para outras situações: “Não é a favor da escravidão? Não compre um escravo!”; “Não é a favor do holocausto? Não mate um judeu!”; “Não é a favor do terrorismo islâmico? Não se exploda!”.

É muito fácil justificar uma atitude imoral sugerindo quem não concorda a não fazê-lo. O que você diria se um político corrupto lhe dissesse: “Não gosta de lavagem de dinheiro? Não lave!”.

Isto vai totalmente ao encontro do segundo argumento: numa sociedade relativizada, a tolerância e o respeito prevalecem.

Primeiro que, exercer tolerância e respeito sobre algo, significa reconhecer que este algo está errado, mas você não pretende fazer nada a respeito. Logo, todo o fundamento relativista cai por terra. Se o errado é relativo, a tolerância e o respeito não existem! Pois todos estão certos em seus pontos de vista individuais. Então, você não tolera o pensamento diferente, você concorda com ele!

Segundo que é uma grande hipocrisia. Quem nunca participou de uma discussão moral nada saudável sobre o que acredita ser o certo ou errado? Ou nunca tentou convencer outra pessoa sobre a sua filosofia de vida, ideologia, visão política e afins? Se você se considera ser essa pessoa, lembre-se de que, quando criança, você já chorou quando seus pais se recusaram a fazer o que você achava certo.

Quer um lugar mais cheio de pessoas relativistas e, ao mesmo tempo, mais hostil do que o Facebook? Coincidência? Acho que não…

Certa vez, Jesus perguntou aos seus discípulos quem o povo dizia que ele era. Seus discípulos responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, Elias; e, ainda outros, Jeremias ou um dos profetas”.

Em seguida, perguntou aos discípulos quem eles achavam que ele era. E Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Satisfeito, Jesus elogia a resposta de Pedro, dizendo vir diretamente de Deus e ainda afirmou que sobre essa verdade ele edificaria a igreja. (Mt 16:13-18)

Cristo não era um relativista. Para Jesus, a única verdade é a aquela que vem de Deus. Não a nossa verdade, nem o que o povo diz achar que é verdade.

A falaciosidade da relatividade moral não é uma questão de fé, mas de observação do comportamento humano. Todos possuímos uma lei moral dentro de nós. Não nos damos bem com a injustiça, a mentira, a crueldade, o preconceito, o egoísmo, a falsidade, etc.

O problema é que tentamos esconder todas essas práticas embaixo de uma relatividade que nos exime de assumir a nossa natureza imoral e arcar com as consequências de nossos atos. Preferimos desconstruir e negar o valor moral intrínseco do que reconhecermos que estamos errados.

A relatividade moral nos afasta de Deus, pois a verdade está em Jesus. Ele é o único caminho, a verdade e a vida. E ninguém vai a Deus, a não ser através de Jesus. (Jo 14:6)

Por isso, busque a verdade! Conheça a verdade, e a verdade o libertará“. (Jo 8:32)