Chape: o terrível acidente que nos fez UM

Esta quarta-feira amanheceu cinzenta e fria aqui em Joinville, como se refletisse o nosso coração. Ontem foi um dia trágico, pesado e de luto para todo e qualquer ser humano. Seja de Chapecó ou não, brasileiro ou não, fã de esporte ou não. Foi um dia de muita tristeza e comoção que afligiu o mundo inteiro.

É incrível como este lamentável episódio (mais um nesse fatídico ano de 2016) é capaz de nos emocionar como se, naquele avião, estivessem nossos amigos mais íntimos, pais, filhos, cônjuges, ou parentes queridos. De fazer brotar um tipo de sentimento que a humanidade tanto carece hoje em dia: a compaixão.

Em uma sociedade onde na maioria da vezes o “e se fosse a sua mãe?” é preciso ser inserido na conversa para tentar gerar comoção, este tipo de atitude tão solidária, incondicional, e que nos enche de esperança pela humanidade é quase uma raridade, infelizmente.

Como foi poderoso o movimento nacional e internacional de apoio e suporte aos familiares e ao time de Chapecó. Uma equipe tão jovem no cenário esportivo nacional e que vinha numa crescente fantástica, nos provando que não importa o quão pequenos e “insignificantes” somos diante do mais desafiador obstáculo.

Uma história como a de Davi, o menor, o mais jovem e subestimado dos irmãos, que tornou-se o homem mais respeitado e admirado de Israel. Não é difícil relacionarmos a trajetória vitoriosa da Chape até a final da Copa Sul-Americana, com a tão conhecida batalha e improvável vitória de Davi sobre Golias.

Ao mesmo tempo em que íamos nos entristecendo conforme as notícias chegavam, o nosso coração se enchia de esperança com as inúmeras homenagens e campanhas solidárias de outros jogadores, times, celebridades e de pessoas comuns.

Como se uma centelha divina do amor de Deus despontasse em nosso coração, colocando-nos todos juntos, como se fossemos um.

Como se fossemos um!

Essa foi a oração de Jesus. Que nos uníssemos como uma só criatura, como se tivéssemos um só coração e uma só mente. Infelizmente foi uma tragédia que acabou despertando em nós a mais íntima vontade de Deus, mesmo que sem querer.

E por falar nEle, onde será que está – ou estava – Deus em tudo isso? Nosso irmão do Jesuscopy, Thiago Marques, em seu post Onde está Deus na tragédia?, escreve:

“Deus estava com todos naquele avião, Ele estava com as equipes de resgates, Ele está consolando a cada um dos familiares, Ele está com todos os amigos que estão dando amparo uns aos outros, Ele está ouvindo as suas orações em prol de cada família que está sofrendo, Ele está em nossos corações em todas as horas.”

Este episódio por si só já é triste, mas nos faz refletir sobre o quão frágil é a nossa vida. Como diz o salmista: O homem é como um sopro; seus dias são como uma sombra passageira. (Sl 144:4).

Muitas vezes esquecemos disso. Vivemos como se tivéssemos total controle sobre a nossa vida. Vamos de lá pra cá, fazemos planos, nos despedimos com um “até amanhã!”, dormimos pensando no que faremos no dia seguinte e por aí vai… mas a verdade é que a nossa vida pertence a Deus.

Que possamos lembrar disso diariamente. Deixemos um pouco de lado as nossas ambições, sonhos e projetos futuros e vivamos o hoje, amando e nos importando uns com os outros. Não somente com nossos parentes e amigos, mas também com aqueles que estamos vendo pela primeira vez.

Que em tempos de tristeza e sofrimento, façamos como Jó que, por maior que fosse a sua aflição, não procurara culpados e nem motivos, mas manteve seus olhos fitos em Deus e em sua promessa.

O dia 29 de novembro de 2016 ficará marcado na história, sem dúvidas. Gosto de pensar que não somente pelo terrível acidente, mas também por causa do poderoso mover de Deus em nossos corações.

Que o Senhor Jesus possa confortar todos os familiares dessas vítimas e faça resplandecer sobre nós o seu amor e a sua misericórdia.